Era alguém que como eu amava a literatura e o cheiro dos
livros. Que sentia em cada momento uma inspiração e uma vontade súbita de
colocar para fora o que sentia. Era alguém que como eu adorava imaginar ser a
garotinha que esperava o ônibus da escola sozinha, sentada com suas meias três
quartos, rezando baixo pelos cantos, como dizia Cássia Eller. E era zombado por
ser um garoto. Era alguém que como eu, amassava as cartas recebidas e depois
abria a bolinha de papel calmamente para não rasgar, lamentando o que fez. E
que apenas queria ser notado como alguém diferente de todos os outros, pois era
especial. Era alguém que como eu sentava em meio a multidão reparando cada um
que passava, seu jeito de andar, de sentar, de conversar e de sorrir e que teve
muitos amigos e poucos colegas.
Era alguém que diferente de mim, sabia demonstrar o que
sentia e não tinha medo dos riscos que corria. Que se destacava de mim, pela
facilidade em fazer amigos e não importar com as circunstancias. Era alguém que
diferente de mim levava a vida com calma e não com braveza, que era delicado e
calmo ao se expressar e não afobado e ansioso. Era alguém que diferente de mim,
esqueceu a desilusão e foi atrás de uma nova paixão e hoje ela te basta. Era
alguém que diferente de mim não vive hoje pensando no que fazer amanhã e sim no
que fará hoje para não deixar para amanhã. Que se destaca por ser legal, que se
destaca por ser dar turminha que eu nunca fui. Era alguém assim como deve ser, foi feliz, amou e foi
amado, pecou e foi perdoado, errou e foi cobrado, pensou e não fez errado,
viveu e será para sempre assim, perfeito por si só.
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